O Instituto Marapara realizou Diagnóstico Territorial na Comunidade Urbana Kaixana, em Tonantins (AM), por meio de escuta com o Cacique Boaventura, visando mapear aspectos socioculturais, econômicos e territoriais para subsidiar ações de etnodesenvolvimento e fortalecimento cultural.
A comunidade reúne 156 famílias e 652 indígenas, sendo 103 mulheres (15,8%), 98 homens (15,0%), 215 crianças (33,0%), 125 jovens (19,2%), 96 idosos (14,7%) e 15 pessoas com deficiência (2,3%).
Com 52,2% da população composta por crianças e jovens, o território apresenta perfil majoritariamente jovem, demandando políticas intergeracionais, inclusão social e estruturação de oportunidades no contexto urbano indígena.
Gráfico Geral – Diagnóstico Territorial
Comunidade Indígena Kaixana – Tonantins (AM)
A Comunidade Urbana Kaixana encontra-se em processo de formalização institucional, ainda sem associação estruturada e CNPJ ativo, mas já conta com orientação direta do Instituto Marapara para regularização e institucionalização, ampliando sua autonomia organizacional e o acesso a editais e políticas públicas.
Antes sem participação em chamadas públicas e sem geração de renda cultural estruturada, a comunidade passou a integrar editais com apoio técnico do Instituto e já apresenta perspectivas concretas de desenvolvimento econômico por meio da parceria estabelecida.
A participação de jovens e as ações voltadas às pessoas com deficiência, anteriormente parciais, vêm sendo fortalecidas com incentivo ao protagonismo intergeracional e à inclusão social. Há interesse ativo em formação em economia criativa, gestão de projetos, comunicação e produção cultural, demonstrando potencial de qualificação e reorganização institucional.
A comunidade realiza manejo sustentável formal, relata ameaças ambientais diretas e já participou de ações do Instituto Marapara, manifestando interesse na continuidade das parcerias.
O diagnóstico confirma que, apesar dos desafios institucionais, econômicos e linguístico-culturais, há avanços concretos, fortalecimento identitário e disposição para ações estruturantes alinhadas ao etnodesenvolvimento e à autonomia coletiva, conforme validado pela liderança entrevistada.