Anciã que leva e preserva os saberes ancestrais do Alto Solimões

Dona Trindade Kaixana é reconhecida como uma anciã que carrega e conduz, com autoridade e compromisso, os saberes ancestrais do Alto Solimões. Sua atuação não se limita à preservação; ela é uma transmissora ativa, que leva adiante conhecimentos fundamentais para a continuidade cultural, espiritual e social de seu povo.
Detentora de um vasto conhecimento tradicional, Dona Trindade atua na proteção e difusão dos saberes ligados ao cultivo, manejo e uso de plantas medicinais, sendo referência em práticas de cura que integram corpo, território e espiritualidade. Sua presença é constantemente requisitada em comunidades, formações e encontros culturais, onde orienta novas gerações sobre o uso consciente da natureza e o respeito aos ciclos da vida.

Na cultura alimentar, Dona Trindade também exerce papel central ao manter vivas receitas, técnicas e modos de preparo ancestrais, contribuindo diretamente para a segurança alimentar e para a valorização dos alimentos originários. Sua prática cotidiana transforma a alimentação em um espaço de resistência cultural e transmissão de identidade.
Além disso, é uma importante liderança no fortalecimento da economia criativa entre mulheres indígenas e ribeirinhas, incentivando a produção de alimentos tradicionais, fitoprodutos e artesanato como estratégias de autonomia, geração de renda e fortalecimento coletivo.
“Eu não guardo o saber, eu caminho com ele. O conhecimento precisa chegar às pessoas, às mulheres e aos jovens, garantindo a continuidade da existência do nosso povo.”
Sua trajetória já foi destacada em encontros inter-regionais de mestres e mestras da cultura, sendo reconhecida por instituições culturais e redes de saberes tradicionais como uma das principais guardiãs da memória viva amazônica. Sua atuação também integra iniciativas de formação comunitária e projetos culturais voltados à valorização dos conhecimentos indígenas no Brasil.
Dona Trindade Kaixana segue como uma referência de sabedoria, resistência e continuidade, reafirmando que os saberes ancestrais precisam permanecer vivos, presentes e em movimento.